
12 de abril de 2009
10 de abril de 2009
O pecado da omissão
Lavar as mãos... A princípio um ato extremamente útil e gratificante. Os membros superiores, sujos, buscam a purificação através da água, espelho vivo da mãe natureza. Entretanto, no caso de Pilatos, as mãos sujas tornaram-se ainda mais sujas. O motivo? Sabia ele da verdade: Jesus era inocente! Suas palavras “não vejo mal nenhum nesse homem!” (Lc 23,4) deixam bem claro a ausência de motivos para castigá-lo, quizá crucificá-lo.Do latim, Pilatos significa ponte. Infelizmente essa “ponte” foi capaz apenas de fazer a ligação entre a omissão de um homem sem fé com sua própria indiferença. Por mais que fizesse parte dos Planos Divinos, poderia ele sim evitar a morte injusta do nazareno na cruz, caso agisse conforme seus reais pensamentos. Eis aqui a podridão da omissão!
Assim como hoje, a justiça também não se fez presente há dois mil anos atrás. Em sua falta com a verdade, o governador da Judéia falhou duas vezes: a primeira em negligenciar o que era certo, tão claro diante de seus olhos; a segunda em permitir que tal barbárie ocorresse, sabendo que poderia evitá-la com uma simples palavra. Carregará Pilatos eternamente o fardo de desperdiçar a oportunidade de mudar por completo os traços da história.
Não sejamos totalmente injustos. Houve certa tentativa de convencer o povo, em três oportunidades, a soltarem o Rei dos Judeus... Todas em vão! Nem mesmo o sonho perturbador de sua esposa nas vésperas do acontecido ("Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por seu respeito" (Mt 27,19)) ou o seu ultimato, oferecendo a liberdade de um dos dois Jesus (Cristo ou Barrabás), surtiram efeito na multidão. Buscando evitar a ira de todos, coagiu com o desejo daqueles que “não sabem o que fazem” (Lc 23,34)
O final dessa história? Todos nós já sabemos!
Em suma: por mais que quisesse agir corretamente, Pilatos sucumbiu ao temor de que tal ato gerasse uma insatisfação geral na população, o que fatalmente acarretaria em um desagrado por parte do Imperador Romano. Deixou-se o certo de lado para realizar aquilo que seria mais vantajoso para sua carreira política.
Pôncio Pilatos... Rei por um dia; condenado pela eternidade!
Após tantas informações, resta-me pensar: e nós? Também não estamos lavamos nossas mãos com tremenda facilidade diante das impunidades do dia-a-dia? O amigo acusado por algo que não cometeu... A omissão de socorro... A ausência de perdão... Julgamo-nos pessoas de bem e que, caso partíssemos hoje, certamente atingiríamos o Reino dos Céus. Entretanto, somos verdadeiramente bons, mesmo quando não “levaremos vantagem” nessa ação? E quando na caridade é exigido algum sacrifício, continuamos atentos ao próximo?
Ou sucumbimos diante dessas pressões?
Aproveitemos então a Páscoa para uma severa revisão de vida. Em que momentos estamos agindo conforme Pilatos? De que forma combatemos a nossa própria fraqueza humana? Buscamos a paz ou apenas a auto-realização? Agimos conforme o mandamento nos manda? Ou conforme os meus prazeres me conduzem?
Tenham uma ótima Páscoa! Vida nova e ressurreição a todos!
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Escrevi esse texto em 2007, dando uma pequena "recauchutada" em 2009. Espero que ele ajude a iluminar a sua Páscoa!
9 de abril de 2009
'Também vós deveis lavar os pés... Uns dos outros!'
O Senhor começou a ceia da instituição da Eucaristia lavando os pés dos Seus apóstolos. Esse episódio tem uma ligação muito íntima com a Eucaristia. Lavar os pés era uma coisa própria dos escravos. Nenhum homem livre fazia isso. Nem mesmo um discípulo lavava os pés de seu mestre.Diante de todas as discussões dos apóstolos sobre quem seria o maior ou o menor, sobre quem teria o primeiro ou o segundo lugar em seu reino, Jesus, naquela última ceia, começa assumindo a posição de escravo. Foi isso que espantou Pedro e os demais discípulos: Cristo toma uma bacia, um jarra com água, a toalha e se põe a lavar os pés de Seus apóstolos. Ele assume a posição de escravo.
O Senhor foi lavando os pés dos discípulos, um após o outro, até chegar a vez de Simão Pedro, que não queria permitir que o Mestre fizesse isso. Jesus dialogou, até que este aceitou que o Senhor lhe lavasse os pés também. Depois de ter lavado os pés de todos eles, Cristo tomou a palavra e disse: “Vós me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque real
mente eu o sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Eu vos dei um exemplo, para que vós também façais como eu fiz”.
Nosso Senhor queria dizer que havia tomado a mais absoluta posição de serviço. Seus discípulos O chamavam de Senhor e Mestre e deviam mesmo fazê-lo, porque Ele o é. Logo, se o Senhor e Mestre tinha tomado a posição de escravo lavando-lhes os pés é porque queria que eles fizessem o mesmo.
Monsenhor Jonas Abib
(fonte: Canção Nova)
